sábado, 30 de outubro de 2010
Uma breve análise do Jornalismo
A busca por informações de acontecimento sociais, políticos e naturais é uma atividade que data desde a Antiguidade. Foi a partir dessa necessidade humana que houve a criação dos jornais. Quando falo jornais, nesse contexto, me refiro à transmissão de informação e não simplesmente ao modelo impresso de comunicação, pois, em um primeiro momento, as notícias eram transmitidas oralmente através de poesias, canções ou conversas rotineiras. Foi só a partir de 1440, com a invenção da impressa por Gutenberg que se tornou possível publicar acontecimentos atuais.
Os primeiros jornais datam de 1605, mas somente depois das Revoluções Industrial e Francesa é que nasce o Jornalismo Moderno. No entanto, tanto este quanto aquele, são muito diferentes dos jornais que conhecemos atualmente, tanto em forma como em conteúdo. Isso porque, com a evolução dos meios tecnológicos, da formação dos profissionais e da ampliação de recursos midiáticos, houve uma transformação no fazer jornalismo, bem como na figura que conhecemos como jornal.
Inicialmente, jornal era uma forma impressa de transmitir notícia e jornalismo a atividade que divulgava acontecimentos. Atualmente, jornal é qualquer meio que transmita informação de relevância pública, podendo ele ser impresso, televisivo, radiofônico, digital, dentre outros; e jornalismo é a profissão que trata da apuração, edição e publicação dessas notícias.
Como conseqüência do surgimento dos novos meios, o Jornalismo está passando por modificações tanto nas técnicas quanto nos procedimentos necessários. Termos como “lead” e “objetividade” tornam-se alvos de discussões atuais.
Lead é uma expressão inglesa que significa “guia” ou “o que vem à frente”. Dentro do jornalismo, é entendido como a primeira parte de uma notícia, que fornece ao leitor as informações básicas do fato que será tratado.
Adelmo Genro Filho, em seu livro “O Segredo da Pirâmide”, faz uma crítica ao lead, na medida em que considera que os fatos noticiosos não devem ser narrados a partir dos acontecimentos mais importantes para os menos importantes, modelo conhecido como pirâmide invertida, mas sim dos seus aspectos singulares para os seus aspectos particulares. Na conceituação aceita, do particular para o geral, podem surgir notícias sensacionalistas e de pouca relevância. Exemplo é a matéria “Quadrilha que leva brasileiros para os EUA é presa”, publicada pelo jornal “O Tempo Online” em sete de dezembro de 2009. Nela, é descrito que foram presos integrantes de uma quadrilha que levava brasileiros para trabalhar irregularmente nos Estados Unidos. A notícia aborda a prisão da quadrilha a partir de informações básicas e não contextualiza o fato com a sociedade em geral. Não são expostas as possíveis causas que levam as pessoas a tentarem entrada ilegal em outro país, tampouco as prováveis conseqüências que elas poderão sofrer. O caso é tratado de forma isolada o que torna a notícia sensacionalista e de pouca importância pública.
Ivan Satuf, jornalista do Portal Uai e professor do Centro Universitário Metodista Izabela Hendrix explica que o lead é uma técnica essencial para o jornalista dominar, principalmente em coberturas factuais. Satuf concorda com Adelmo Genro Filho, ao considerar mais atraente e interessante as matérias que não se constroem a partir do lead. No entanto, pondera que esse tipo de matéria acontece em textos com mais profundidade, como as reportagens, nos quais devido a maior disponibilidade de tempo e espaço, é possível se desprender do lead.
O jornalista do Portal Uai explica que na Internet e no rádio o repórter usa do lead como uma forma de manter a objetividade perante uma informação que acabou de acontecer e o pouco tempo que se tem para a publicação.
A referência que Ivan Satuf faz ao tempo, nos faz refletir sobre a influência que cada meio exerce no jornalismo. Nas mídias impressas, os redatores contam no mínimo com um dia para obterem informações necessárias sobre determinado acontecimento. Já na Internet ou no rádio, a publicação ocorre quase que simultaneamente ao fato noticioso, por isso pode nos parecer incompleta ou com informações desnecessárias. Mas é importante ressaltar que isso ocorre porque o redator está escrevendo sobre um fato inacabado.
A matéria “Quadrilha que leva brasileiros para os EUA é presa”, apresenta outros pontos importantes referentes ao surgimento das novas tecnologias. A única “fonte” utilizada na notícia foi a assessoria de imprensa do Consulado dos Estados Unidos em São Paulo. E podemos questionar se o repórter foi até essa “fonte”, o que é pouco provável, ou se recebeu a informação por email, telefone ou até mesmo através de outro site. Esse é um fator que muda com as novas mídias. Antigamente, para se ter acesso a determinado acontecimento, o repórter tinha que se locomover até o local e conversar pessoalmente com as pessoas envolvidas direta ou indiretamente ao acontecimento. Hoje em dia, basta um clique e o repórter tem acesso a uma infinidade de informações sobre determinado fato. Isto acabou modificando o fazer jornalismo negativamente, pois muitas vezes a “fonte” dos jornalistas, independente do meio, acaba sendo somente a Internet.
Ao mesmo tempo, a inovação tecnológica representa um ganho muito grande no fazer jornalismo, pois abre um leque de possibilidades tanto em conteúdo quanto em práticas colaborativas e de interatividade.
Ivan Satuf acredita que a inovação tecnológica está relacionada a uma das principais dificuldades dos jornalistas. Segundo o professor do Izabela Hendrix o mercado exige domínio completo das linguagens. Se antes cada profissional focava seu trabalho em um meio específico, hoje, independente do meio que o jornalista escolher trabalhar, ele vai ter que saber lidar com as outras linguagens. O professor pondera revelando que acha fascinante sair das amarras impressas e poder ter domínio total do processo jornalístico, desde a edição até a publicação.
A objetividade, entendida como imparcialidade e impessoalidade ao relatar informações, também é alvo de discussões entre comunicólogos. Gaye Tuchman escreve que a objetividade trata-se de um ritual estratégico a fim de minimizar os riscos impostos pelos prazos de entrega de material, processos difamatórios e reprimendas dos superiores.
Ivan Satuf concorda com a idéia de Tuchman, na medida em que considera imparcialidade e objetividade mitos. Satuf afirma que o jornalista trabalha o tempo todo com recortes e estes são arriscados, pois é arrogante julgar que o jornalista sabe o que é importante pra todo mundo. “O local no qual o jornalista trabalha vai dizer muito sobre o enquadramento que ele faz de determinado assunto”, afirma Satuf.
O professor explica que nos meios jornalísticos existe uma linha editorial muito forte que delimita os limites. Satuf ressalta que, ao contrário do que muitos pensam, a linha editorial não é apresentada para o jornalista quando ele entra na empresa. É no dia-a-dia e através do tempo que o repórter percebe o modo de falar do jornal e os tipos de matéria que são ou não publicáveis.
Perante a uma infinidade de notícias, a própria escolha daquelas que serão ou não publicadas, está ligada a subjetividade. Satuf afirma que há uma hierarquização das notícias e isso ocorre independente do meio. Nos jornais presentes na Internet, por exemplo, por mais que não haja limitação física, a equipe de jornalistas é reduzida e tem que dar conta do mais importante dentro da linha editorial. Subtende-se que a técnica do gatekeeper, ao escolher aquilo que será ou não publicado, caminha em direção contrária à objetividade, por fazer a escolha de acordo com a “subjetividade” da empresa.
Não me proponho a dizer aqui se o lead é ou não a melhor forma de se estruturar uma notícia, tampouco se o Jornalismo é ou não objetivo. Mas é evidente que em pleno século XXI, e diante de um emaranhado de informações, é impossível que se faça jornalismo da mesma forma como antigamente. É improvável uma notícia que não reflita a implementação das novas tecnologias, a correria das redações jornalísticas e a agregação dos interesses políticos e comerciais.
Thalissa Maíra da Cunha Teodoro
O FAZER JORNALISTICO
O termo fazer jornalístico, já nos leva a certa suposição de processos que surgem desde a criação até a produção. Estes processos podem ser entendidos como fatos em plena construção jornalística, onde o jornalista é o principal acionista deste artifício.
O Fazer jornalístico vai além de domínios de exclusividade literária , sendo assim transposto para outros caminhos , onde temos o fazer e a criatividade humana, desafiando cada vez mais o jornalista , mas trazendo consigo diversas alternativas.
Este processo do qual estamos falando, esta em pleno desenvolvimento e em constante ato comunicativo. Ao contrario de hipóteses que já se prontificam com suas conclusões finais , o que é relevante neste processo , é a trajetória de erros e acertos , tentativas, de testarem , de aprendizados até chegar no resultado final deste objeto de estudo.
Pode-se tirar exemplo das redações de jornais e televisões e nas faculdades , onde é visto claramente um problema enfrentado pelos estudantes e profissionais desta área : Como eles lidam com a tensão vivida na passagem do processo criador de reportagem , para o processo criador da edição. As tensões neste caso, seriam entendidas como relação de forças , com leis e responsabilidades.
No trabalho jornalístico vários subsídios contribuem pára o surgimento desta tensão , desde as questões ideológicas até assuntos em torno do conteúdo e forma do editorial.
Para melhor se compreender este processo jornalístico , se busca identificar antes de mais nada quais cédulas podem ser reconhecidos como fornecedores indiciais deste procedimento.
O Fazer jornalístico , pode ser visto como um processo coletivo, tornando-o mais complexo. Este caráter coletivo implica em analisar que alguns documentos são comuns ou similares para quase todos profissionais participantes deste processo.Como é o caso de uma pauta, que pode passar de mão em mão.
Mas existem também o caráter individualista , como por exemplo ao relatórios internos feitos por jornalistas.
Mas ainda existe certo receio por parte de jornalistas em construir e veicular uma noticia sozinho :
” Gosto das coberturas ao vivo , mas particularmente é a minha maior dificuldade . Minha personalidade tímida , e um complicador . Tenho uma certa vergonha de usar palavras inadequadas durante a narração . Ao vivo ,nem sempre , você dispõe de tempo para refletir , apurar , selecionar , hierarquizar a informação” , depoimento do jornalista Caco Barcelos (1994:21)
Este depoimento expressa a de certo modo a preocupação com o fazer jornalístico , com o resultado deste fazer e com a responsabilidade de autoria.
O jornalismo é resultado de um conjunto de linguagens (orais, escritas, visuais, gestuais), resultando na busca por vários suportes. Podemos então encontrar documentos de processos comuns ao jornalismo impresso, televisivo, radiofônico e digital , e documentos específicos de cada suporte. Portanto a natureza desses suportes contemplam a denominação do verdadeiro papel destes documentos no processo de criação ou seja o de armazenar e experimentar.
Outros elementos também contribuem para a criação deste fazer jornalístico.São eles : o acaso, o tempo e a forma.
O acaso se faz presente no jornalismo, a partir do momento que se leva em conta a complexidade do trabalho coletivo, sendo então produto de elementos e eventos que podem fugir do controle.
É preciso também destacar a importância do fator tempo, para o processo do fazer jornalístico, principalmente para a televisão e o rádio, onde tempo também é suporte e matéria. Tempo que pressiona, tempo presente na produção de noticia, na duração do fato, na veiculação da notícia, e que de algum modo também irrompe como elemento controlador do processo criador.Mas isso não quer dizer que seja negativo, mas sim algo desafiador, para a criatividade e surgimento do novo, “ é preciso aprender a lutar contra a pressão , contra o tempo, contra o relógio , e a favor da qualidade”, sentencia o jornalista Boris Casoy (1991:74)
Outro fator importante é a descoberta de uma forma. Como bem lembra Fayga(1976:79):” a forma é o modo porque se relacionam os fenômenos , é o modo como se configuram certas relações dentro de um contexto.
O Jornalismo é uma atividade profissional que consiste em lidar com notícias, dados fatos e divulgação de informações. O jornalismo também é definido como pratica de coletar, redigir, editar e publicar informações.
O trabalho jornalístico consiste em captação e tratamento escrito,oral visual ou gráfico da informação em qualquer uma das formas e variedades. Para abordar melhor o assunto em discurssão segue abaixo a entrevista feita com Luis Seabra, editor chefe do Telejornal da Rede minas.
Você acha que os jornalistas ainda buscam a noticia como antigamente?
LS_ Não tem como buscar como antigamente. Com o oráculo e o google na sua frente, destorcendo as coisas e até ajudando em muitas outras, tudo é muito mais excipiente que antigamente, é tudo mais prático. Até os carros andam mais rápidos, cada tempo no seu tempo. Não adianta eu ficar com saudosismo, antes os jornalista davam sangue por uma emissora de rádio, você era valorizado como repórter de radio. Vai trabalhar em rádio hoje, rádio não dá lucro, é moeda política, é evangélica ou é “caixa dois”.
Existe uma radio aqui em Belo Horizonte a rádio Itatiaia , que faz o jornalismo mais factual, um jornalista que passa emoção para as pessoas. Muito futebol ,tem seu lado policial, e não podemos esquecer também a CBN e a Band News , que tem janelas locais. Eu fiz um trabalho de curso sobre radio jornalismo da Rádio Alvorada. Depois fui lá entrevistei as pessoas, eu fiquei horrorizado, cópia sobre cópia. Você escuta algo que já escutou em outra radio semanas atrás. Não existia isso. Agora, novos tempos, quantos jornalistas estão brigando pelo mesmo espaço? O país cresceu? Cresceu. Mas os veículos de comunicação são os mesmos , eles não cresceram, continuam nas mãos de poucos.
O que é ser jornalista para você?
LS_ É ser antes de tudo, um ser intelectual. E para ser um intelectual, se você não tiver a curiosidade, vice jamais vai ser. Ele tem que ser um ser que busque que goste da palavra, que goste da notícia. Mas que não goste da fofoca. Porque não se ganha nada com isso. E que ele aprenda muito bem com o passar dos anos, o passar dos anos , o quão importante é uma agenda , quanto é importante ter os contatos certos .Tudo isso é importante para o jornalista. E ele poder sair e fazer uma matéria fora ou entrevistar mesmo dentro do estúdio e ter base para isso. Porque se não tiver base ele será engolido. Quantas e quantas vezes você vê numa entrevista o entrevistado só responder o que quer. Leonel Brizola era mestre nisto-so respondia aquilo que estava na sua cabeça. Perguntaram uma coisa e ele respondia outra completamente diferente. Ele só respondia o queria. Existem outros talentos do lado de lá do jornalismo que respondem e vão te induzindo a fazer perguntas somente sobre aquele viés que esta disposto a responder. Tem que ter muito cuidado com isso. Se você não souber mostrar o outro lado, você é engolido, porque tem muito advogado, economista, médicos competentes, e se você não sabe nada, como é que você faz? Como você rebate?Não tem jeito.
Qual seu conselho para quem está iniciando o curso agora? E quer fazer um bom jornalismo?
LS- Dou o conselho de sempre , leiam, leiam, leiam, escrevam, escrevam, escrevam. Exercitem a profissão . Porque só assim vocês conseguirão alguma coisa. Vocês podem chegar ali, acolá com um jeitinho que um amigo deu, te arrumou. O deputado que é amigo te coloca como assessor aqui e ali. Mas eu quero saber se você vai ser um Carlos Nascimento , um correspondente internacional , se você vai mais longe na profissão que você escolheu. A não ser que vocês tenham papai dono de jornal radio ou televisão.
Referências: BRACELOS, Caco. In:Kaplan, Sheila (org) Jornalismo Eletrônico ao vivo. Ed Vozes ,Rio de Janeiro ,1994.
CASOY, Boris .In: Viera, Geraldinho.Complexo de Clark Kent. Summus, São PAULO, 1991.
Entrevista com o jornalista João Paulo Ribeiro
O jornalista que trabalha há mais de 5 anos na rede Minas de Televisão disse que é muito prazeroso trabalhar na redação por causa da informação, destacou a importância dos sites para a informação que é buscada naquele momento, além de destacar a importância do uso de novas tecnologias para a disseminação da informação.
O fazer jornalístico hoje em dia deve ser pensado em torno dos problemas e questões que envolvem a sociedade em geral, deve-e dar voz para as pessoas enviarem ou produzirem conteúdo jornalístico sobre o ângulo de quem participa ativamente dos fatos. Exemplo citado pelo jornalista é a produção de um programa realizado por jovens de regiões carentes que fazem o programa , propõem temas, vão atrás das fontes, entrevistam e editam.
O programa citado pelo jornalista é a Rede Jovem de Cidadania que é transmitido pela Rede Minas. Segundo João Paulo, a emissora tem uma visão de um novo formato de jornalismo e preocupa-se não somente com o lado comercial como a maioria das emissoras, mas, as questões sociais são destacadas.
Na área de esportes, onde o jornalista é editor do programa Meio-de-Campo, o fazer jornalístico é uma preocupação constante e rotineira; segundo ele, o compromisso de se fazer um jornalismo compromissado com as pessoas é de toda a redação, todos propõem melhorias para a qualidade na informação transmitida e, admite que embora o esforço tenha sido contínuo, é preciso melhorar cada vez mais.
O jornalista disse que a cultura que é o carro chefe da emissora e o tema tem sido tratada em evidência na programação. São cerca de 80% a 90% de programas educativos. João Paulo Ribeiro focou a prática de ação social como forma de se fazer jornalismo voltado às questões sociais.
Em seu programa, muitos assuntos são pensados para fazer o telespectador e o torcedor mudar o seu ponto de vista.
Segundo Ribeiro, um destaque para ilustrar a sua explicação foi uma série de matérias veiculadas no Meio-de-Campo para mostrar os caminhos que garantam os direitos dos torcedores que vão aos estádios. Nesta série, foram mostrados os direitos que assegura os torcedores nos estádios como a garantia de assento, comida adequada para o consumo.
Além de salientar que, os deveres aos torcedores foram mostrados para que conservassem os estádios, não sujassem, entre outros.
O jornalista disse que os direitos foram mostrados para que as pessoas buscassem as autoridades como o Poder Público, a PM para que pudessem freqüentar os estádios de forma mais segura e alientou que, só assim o fazer jornalístico de fato é desempenhado deforma gratificante e correta.
Indagado sobre a prática do uso das regras que estão no código deontológico na profissão de jornalista,
Ribeiro disse que há profissionais que estão realmente preocupados com a prática jornalística e sua essência que é a de informar e prestar serviço social para à população, mas disse ainda que, alguns profissionais não se preocupam com a ética e querem ver somente o seu bem estar.Afirmou que a ética, tão buscada no jornalismo, vai além do código deontológico, passa pelo caráter que a pessoa possui.
O jornalista disse que para se praticar um jornalismo verdadeiro, a imprensa deve estar bem preparada no seu campo de ação, deve-se buscar as fontes antes de qualquer exposição de um determinado assunto, pois considera que o jornalista deve levar a informação e prestação de serviço e, para isso, é essencial a preparação e busca de informação precisa.
Enfatizou que para se levar a notícia, o profissional deve acumular informação e experiências de vida, deve-e ter cultura, disseque é imprescindível o uso da internet neste processo. Finalizando a entrevista, João Paulo Ribeiro disse que a nova safra de jornalistas que estão formando deve buscar mecanismos mais apropriados para levar a informação e pensar nos caminhos alternativos como a internet para a produção e disseminação da informação.
Os blogs e sites estão em constante evidência. Segundo ele é somente escolher o caminho certo e fazer um jornalismo diferente do que tem sido praticado pela mídia tradicional.
Entrevista Com Rose de Oliveira Jornalista e Assessora de Imprensa
Como é a rotina de um jornalista na redação?
É muito corrida, principalmente uma redação de rádio, pois as notícias precisam ser divulgadas o mais rápido possível e sempre de forma muito consciente. Temos que conferir todos os dados, nossos textos, para não cometermos erros.
A rotina é dura, cansativa, estressante, mas muito gratificante, pois entendo que fazer jornalismo é prestar um grande serviço à sociedade. O jornalista informa, interpreta os fatos, apura as dúvidas, enfim, esclarece a população, ajuda no fortalecimento da cidadania.
Como você já foi jornalista queria saber um pouco de dentro da redação como as noticias são selecionadas?
Sou jornalista. Só que há quase seis anos sou assessora de comunicação.
Mas, faço matérias aqui também, pois tenho três informativos, mais os releases que produzo - com minhas colegas - para a imprensa. Bem, varia da editoria em que se trabalha, também vai muito da linha editorial do veículo de comunicação, também varia de acordo com a fonte - nem todas são confiáveis. Há algumas que nem damos o trabalho de lê-las.
Como você vê o avanço das novas tecnologias dentro do jornalismo?
Não só no jornalismo.
O avanço é rápido demais, quase instantâneo. Praticamente todos os dias vemos coisas novas.
Mas, acredito que são positivos os avanços. Blogs, Twitter, sites de imagens, etc. sempre ajudam na difusão da notícia, das informações. Mas... Cultura é muito mais do que isso. Tenho visto muitos estagiários e até jornalistas que se especializam nas novas mídias e desprezam outras mais antigas; jornalistas que desprezam a leitura de livros, jornalistas que escrevem mal, um horror. E isto é muito comum, eu tenho visto, infelizmente. Desculpe-me pela correria.
Conclusão
Com essas duas entrevistas percebemos que eles concordam em muitas coisas, uma delas é que os jornalistas que estão saindo da faculdade precisam ler mais e se interar mais dos fatos, e esses estudantes de jornalismo também precisam se dar bem com as novas tecnologias, porque a maioria das noticias saem de sites blog de onde pode tirar ótimas pautas para reportagens.
Outra coisa que eles falaram em comum foi que o jornalismo sério tem que ter uma dedicação e correr atrás da informação, mas que prevaleça a verdade.
Outra coisa que essa entrevista deixou claro é que todos os meios de comunicação não vão ser engolidos pela internet, mas só vão ajudar uns aos outros, por exemplo, se você quiser pesquisar edições antigas de jornais pode procurar na internet e etc.
Como as notícias são apresentadas
Afirma que o jornalismo é uma tarefa fácil de exercer é colocar a profissão num nível de baixa categoria em relação às outras profissões. Antigos e novos ingressastes na carreira analisa como é construída à notícia nos jornais. A forte ligação do jornalismo com a imagem de quarto – poder em uma sociedade que atribui a solução dos problemas às reportagens investigativas.
Para o jornalista João Vitor Xavier da rádio Itatiaia A profissão é de grande responsabilidade e que alguns desconhecem “Acho que falta a alguns um pouco de conhecimento à respeito do que é mesmo uma profissão como essa e da responsabilidade. Estamos passando por um momento de transformação e amadurecimento da democracia. Vivemos 20 anos de ditadura muito dura muito regida no nosso país inclusive para os meios de comunicação. Agora estamos vivendo um momento de liberdade absoluta e às vezes liberdade irresponsável. Então é preciso que se invista na academia, invista na universidade para que formemos profissionais cada vez mais qualificados, investigativos, mais independentes e mais responsáveis.”.
Para muitos o jornalista é um herói com capacidades de atrair para o problema a solução. Mesmo que isso não ocorra à imagem de justiça esta extremamente ligada à profissão. Dependendo de como ela é desempenhada o leitor, telespectador, ouvinte ou internauta passar a dá credibilidade a emissora. Na visão do jornalista João Vitor Xavier as dificuldades de construir uma boa matéria jornalística nasce e permanece desde o início e por toda carreira, mas para ele é possível construir um jornalismo com responsabilidade social. “Eu acho que a melhor maneira de ter responsabilidade social é fazendo bem o seu trabalho com ética com lisura com transparência, buscando que os fatos sejam apurados da melhor maneira possível. Divulgando escândalos irregularidades.”
Jornalista João Vitor Xavier
O jornalismo no Brasil tem agora uma grande missão, que é sobreviver diante das criticas que são feitas aos jornalistas recém formados. Apartir da não exigência do diploma para exercer a profissão o fazer jornalístico tem que ir além da ideia de justiça.
Afirma que jornalismo é realmente o Quarto Poder é dar aos jornalistas a responsabilidade de comandar a justiça. Para o historiador George Boyce a imprensa atuaria como um elo indispensável entre a opinião pública e as instituições governantes.
O jornalismo é visto como uma forma de reprimir algumas injustiças realizadas pelos governantes, mas será que é realmente essa a função de quem em muitas das vezes tem usado do sensacionalismo para construir uma noticia.
“Eu não acredito que esse seja o caminho do jornalismo. O caminho do jornalista é informar trazer as questões para o debate publico e não fazer uma condenação previa ou absolvição. Cabe a justiça julgar e condenar.” Justifica João Vitor.
A pirâmide invertida pode ser usada da forma sensacionalista ou até mesmo para prender um leitor a ler uma noticia que muitas vezes não tem tanta importância para ele, mas a forma como a notícia é apresentada ao leitor, ela pode prender atenção pelo excesso de repetição da informação.
Estudante de jornalismo Alcione Inácio
Alcione estudante do quarto período de jornalismo observa o uso da pirâmide invertida como uma forma de induzir o leitor ao conteúdo da notícia. Para ela muitas vezes o que prevalece na construção da maioria das notícias nas emissoras é o sensacionalismo. Alcione relembrou casos que a imprensa atuou como julgadores de determinados crimes. E quando não tomou posição de um lado da situação deu mais importância a um fato do que outro. Para ela o esquema usado para seduzir os leitores pode até colocar atraz das grades inocentes ou até mesmo provoca morte. “Como foi o caso da garota Eloá Cristina Pimentel, que foi morta pelo seu ex-namorado Lindemberg Alves que sequestrou a garota. Algumas emissoras deram muita importância ao caso e deu uma cobertura exagerada, talvez Lindemberg tenha se sentido um mocinho que aprisionou a mocinha em nome de uma grande paixão.” Ela se refere ao sequestro que ocorreu em São Paulo em 2008, o qual um ex-namorado de 22 anos prendeu ex-namora de 15 anos no apartamento onde ela vivia com seus pais. Infelizmente o caso acabou trágico, pois a garota foi assassinada.
Para Alcione quando o jornal impresso quer vender notícia ela apodera friamente da pirâmide invertida “quando o jornal impresso é feito com a formula pirâmide invertida, onde lide, sublide desenvolvimento e fechamento seguem uma seqüência cronológica. É uma forma usada para vender notícia.”.
Maria Cleoni
O JORNALISMO E A IMPARCIALIDADE
O Jornalismo é uma atividade profissional que consiste em lidar com notícias, dados, fatos e a divulgação de informações. O jornalista pode atuar em várias áreas ou veículos de imprensa como jornais, revistas, televisão, rádio, websites, weblogs, assessorias de imprensa, entre outros.
No jornalismo tem-se a prática de coletar, redigir, editar e publicar informações sobre eventos atuais, e de caráter relevante para a sociedade. Jornalismo é uma atividade de comunicação, fazer jornalismo é saber comunicar não somente saber falar mas saber ouvir e respeitar as idéias dos outros e suas concepções, passando aquilo que é real e verdadeiro ou bem próximo da realidade. Procurando averiguar os fatos, pelas fontes abordadas que devem ser apuradas as informações para o critério daquilo que é o mais importante.
Segundo o texto A objetividade como ritual estratégico: uma análise das noções de objetividade dos jornalistas do autor Gaye Tuchman, o jornalista deve trabalhar um conceito da matéria com objetividade para que seja vinculado os fatos relativos a realidade social. É importante tratar a forma e o conteúdo da matéria noticiada. A edição da matéria com o critério de objetividade deve ser levado em conta no jornalismo. Ser objetivo é importante para passar aquilo que é relevante para a sociedade, seja nos aspectos econômicos, políticos, educacionais, saneamento, etc. A objetividade é o mesmo que descrever características do objeto da notícia, e não impressões ou comentários do sujeito que o observa.
Para o código de ética do jornalista brasileiro o compromisso fundamental do jornalista é com a verdade no relato dos fatos, deve pautar seu trabalho na precisa apuração dos acontecimentos e na sua correta divulgação.
É direito do jornalista resguardar o sigilo da fonte.
A divulgação da informação precisa e correta é dever dos meios de comunicação e deve ser cumprida independentemente da linha política de seus proprietários e/ou diretores ou da natureza econômica de suas empresas; a produção e a divulgação da informação devem se pautar pela veracidade dos fatos e ter por finalidade o interesse público;
o jornalista não pode: impedir a manifestação de opiniões divergentes ou o livre debate de idéias.
No jornalismo, “imparcialidade” é um conceito muito anunciado, mas muitos dizem impossível de ser conseguido. A maioria das empresas se diz imparcial e neutra em seus discursos editoriais mas vários manuais de redação indicam que a neutralidade total nunca será atingida. Ser imparcial é saber ouvir os dois lados (ou mais) envolvidos em um acontecimento e não tomar partido de nenhum deles ao escrever a matéria. É provavelmente uma tarefa difícil para o jornalista, porque é típico do ser humano tender para um dos lados num assunto. É natural que naquilo que se goste você queira defender mas a realidade no jornalismo é de que seja passado com destaque os argumentos e informações de todas as partes envolvidas, e o que é mais importante é ressaltar a importância do acontecimento, com seus detalhes, curiosidades e depoimentos, buscando informações em documentos de credibilidade, na veracidade dos fatos e a precisão.
Para muitos o jornalismo não é imparcial e nem verdadeiro mas se aproxima da verdade porque cada um pode contar a mesma história de várias formas o que acontece é que é necessário para um bom jornalista o saber verificar todos os lados e chegar naquilo que esteja mais próximo da verdade e da realidade.
No texto (O Segredo da Pirâmide - Para Uma Teoria Marxista do Jornalismo, Adelmo Genro Filho, 1987), "O jornalismo deve ser imparcial, mas deve interpretar os fatos e guiar seus leitores. Fica evidente que há uma interpretação e um sentido que deve brotar naturalmente dos próprios fatos, com base nos preconceitos e concepções dominantes na sociedade, que se manifestam no chamado bom senso. Jornalistas podem, intencionalmente ou não, cair como vítimas de propaganda ou desinformação. Mesmo sem cometer fraude jornalistas podem dar um recorte embasado dos fatos sendo seletivos na apuração e na redação, focando em determinados aspectos em detrimento de outros, ou dando explicações parciais tanto no sentido de incompletas quanto de tendenciosas.
A proposta dessa matéria é falar das limitações e da linguagem e do ato de escrever, que impedem o jornalista de dizer o que quer; a própria formação de cada jornalista que acaba decidindo de forma enviesada o que é notícia e a imparcialidade se é um mito ou verdade.
Em entrevista com alguns jornalistas atuantes na área, pude ver a questão da imparcialidade com mais profundidade na prática da questão.
Para a jornalista Soraya Belusi, que é repórter e redatora do Caderno Magazine, do jornal O TEMPO de Belo Horizonte relata que ao seu ver a imparcialidade no jornalismo deve ser usada como propósito ideal, algo que não devemos esquecer que existe, buscá-la, mas sabendo que é, relativa. A jornalista fala também que a escolha de um determinado tema a ser abordado, além dos critérios de notícia, passa também pela avaliação do jornalista e, nesse caso, acaba sendo parcial. Belusi que é crítica de teatro informa que procura não colocar à frente da análise o seu gosto pessoal. Para a jornalista o assunto é muito complexo e polêmico realmente.
Falei com Elisandra Amâncio que é jornalista graduada em dezembro deste ano, e trabalha há 2 anos e meio na área, primeiro como colaboradora de sites de notícias do interior, depois, estágio pela rádio CBN BH, assessoria de imprensa, e atualmente trabalha na redação do site de notícias evangélico- (Lagoinha.com) e também faz trabalhos de assessoria de imprensa e como free-lancer.
Elisandra, a imparcialidade no jornalismo é um mito ou verdade?
Esta é uma excelente pergunta, porém, minha resposta é que a imparcialidade é um mito. Quando entrei na faculdade de jornalismo há quatro anos ouvia os professores dizendo que o jornalismo "precisa" ser imparcial. Porém, na mesma época ouvi de uma experiente repórter que é impossível praticar jornalismo imparcial. Foi uma provocação e tanto para minha mente de estudante. Com o tempo compreendi que por mais "imparcial" que o jornalista/repórter tente ser, ele será parcial de alguma maneira. Claro, ele jamais deve abrir mão em ouvir, ou tentar ouvir, as duas partes da história. Mas o "recorte" que o repórter faz ao construir sua narrativa é parcial. Entenda que o repórter leva em conta o que ele deduziu sobre o tema para produzir a notícia.
Você acredita que existe a imparcialidade no jornalismo? e como é utilizada?
Teoricamente a imparcialidade existe até o ponto em que o repórter opina por qual informação utilizar e qual não. Acredito que a busca do jornalista deve estar pautada no que o código de ética nos instiga a fazer buscarmos informar de acordo com o que é de interesse público e atinge o maior número de pessoas possível. A imparcialidade precisa ser usada em todo o tempo, porém, como disse que é uma linha bem tênue entre a imparcialidade e a produção da notícia, que devemos considerar ouvir todos os lados envolvidos na história, e principalmente, não transmitir para a notícia "juízo de valor". Não cabe ao jornalista julgar um fato e publicá-lo em forma de notícia, e sim, produzir uma notícia com todas as informações possíveis e deixar para que a opinião pública leia e interprete o fato.
O jornalista deve ser imparcial? Você trabalha com o mérito da imparcialidade?
O jornalista deve ser imparcial sim, eu diria, ele não deve opinar na notícia (há quem defenda que o jornalista deve expressar sua opinião, para mim, isso seria qualquer outra coisa e não jornalismo). No meu cotidiano busco trabalhar imparcialmente na construção das minhas pautas. Por exemplo, isso independente se gosto ou não do entrevistado, se concordo ou não com a fala dele. O jornalista precisa antes de ser um bom perguntador, ser um bom ouvinte. Não adianta fazer uma boa pergunta e não ouvir o que o entrevistado tem a dizer. O jornalista não tem que deduzir nada, ele precisa lidar com os fatos e noticiá-los.
Você acredita que não seja possível fazer jornalismo sem inserir um ponto de vista pessoal, mesmo que implicitamente?
Acredito que é possível fazer jornalismo sem colocar o ponto de vista pessoal sim. Por mais difícil que possa parecer. É importante entendermos que no momento de produzir uma matéria, nós selecionamos as informações que "queremos" usar. Nem sempre isso quer dizer que somos parciais ou imparciais.
Acredita que existem meios que moldam a informação?
Sim, existem vários meios. Um deles seria os manuais de redação que tentam padronizar não só as formas de construção textual, mas também, dão importantes "dicas" de conteúdo, conduta do jornalista etc. Sem falar do famoso lead (com as perguntas O que, quem, quando, como, onde e por que?). O lead, primeiro parágrafo da notícia é uma padrão da Escola Americana que foi adotado no Brasil. Em algumas mídias o jornalista que não escreve dentro desta padrão é duramente criticado.
Você acha que a subjetividade e a imparcialidade são cada vez mais insuficientes à sobrevivência de um jornal ou meio de comunicação?
Não, não acho. Acredito que a subjetividade e imparcialidade tem espaço sim. Pelo lado da subjetividade há outros tipos textuais que podem utilizá-los sem qualquer receio, como artigos de opinião, editoriais (bem subjetivos e parciais) e até mesmo, no chamado jornalismo literário ou jornalismo de ficção. A comunicação, o jornalismo é muito mais amplo do que as teorias que costumamos estudar nas academias (faculdades). A vivência profissional diária nos mostra que as possibilidades são imensas, e que tudo dependerá da linha editorial assumida por aquela mídia específica. O jornalismo de revista por exemplo, é bem parcial e subjetivo (em sua grande maioria). Por outro lado, é importante destacar que a busca pela imparcialidade é como aquele ponteiro da bússola que aponta para o Norte. Pode ser que nunca cheguemos lá totalmente, mas sempre servirá para nos nortear.
Elisandra ao final da entrevista ainda destaca que na faculdade os professores tentam nos fazer acreditar que a imparcialidade é ultra importante, mas que na prática, e até mesmo no próprio livro Teorias do Jornalismo (do autor Felipe Pena), há várias citações de teorias que ilustram bem a forma como o jornalista constrói a matéria.
O jornalista da web Fábio Santos também foi entrevistado.
Fábio Santos é jornalista, Bacharel em Comunicação Social /Jornalismo (Fumec), com Especialização em Gestão Estratégica de Marketing pelo Instituto de Educação Continuada da PUC Minas. Já trabalhou com jornal impresso, assessoria de comunicação integrada e comunicação digital. Desde setembro de 2007, integra a equipe de jornalistas da assessoria de Comunicação da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior de Minas Gerais (Sectes). É responsável pela estratégia de comunicação digital da Sectes no ambiente digital e de mídia social.
Santos a imparcialidade no jornalismo é um mito ou verdade?
Bem, se você está falando de jornalismo tradicional (TV, rádio, Impresso) sabemos que a maioria das empresas de comunicação de massa estão à serviços e instituições políticas, empresas patrocinadoras, etc. Vendo por esse lado, acredito que a imparcialidade no exercício do jornalismo é algo bastante complexo, já que interesses comerciais e políticos estão entre a informação e o leitor. O Jornalismo pode ser feito com imparcialidade, mas na atual conjuntura política e econômica em que vivemos, torna-se um mito.
Você acredita que existe a imparcialidade no jornalismo? e como é utilizada?
Observo que a evolução tecnológica, a convergência de mídia, o crescimento do acesso à internet e outros suportes de informação digital estão transformando a maneira como lidamos e nos relacionamos com a informação. Hoje, a comunicação em rede via internet permite que cada um busque uma informação, apure um fato, redija um texto, publique seu material e espalhe ele pela rede. A transparência torna-se um requisito básico para qualquer relação com a mídia. Apesar de todas essas transformações, o fazer jornalístico depende de alguns conceitos. A imparcialidade é um deles. Na era da informação digital, mais do que nunca, é preciso fazer jornalismo de qualidade, ser honesto com o leitor e respeitar os envolvidos. A comunicação pela internet é livre e participativa. Uma injustiça pode se transformar em um grande problema.
O jornalista deve ser imparcial?
Acredito que é possível sim. Somos profissionais que foram preparados para lidar com a informação. A imparcialidade é um posicionamento necessário e que traz credibilidade para o profissional. O grande obstáculo, como falei, são as instituições. Na comunicação digital, uma reputação pode ser destruída em poucos bytes. Isso deve ser levado em consideração.
A jornalista Kátia Pereira da Rádio Itatiaia de Belo Horizonte, foi entrevistada. Kátia Pereira começou como estagiária, noticiarista, foi produtora do Itatiaia Patrulha, já trabalhou no Jornal Super como repórter de polícia e cidade e hoje às vezes sai na rua para cobrir alguma matéria como repórter da Rádio Itatiaia. É formada pela faculdade da Uni BH, em Jornalismo com pós-graduação em História e Cultura Política pela UFMG, e hoje também trabalha como assessora de imprensa do Deputado Estadual Ivair Nogueira, é apresentadora do Jornal da Itatiaia, e free-lance da Editora Abril para a Revista Caras.
Kátia Pereira, como você enxerga o poder de manipulação da mídia?
Não trabalho muito com estas expressões manipulações da mídia, temos que reconhecer que as empresas possuem linha editorial. Tem empresas que se declaram partidárias de alguma corrente política, mas eu não trabalho muito com esta questão de manipulação, eu não quero muito acreditar nisso, pois pra mim é uma coisa que já vem de críticas para o jornalismo e ao jornalista, e a imprensa em geral, de que a mídia manipula as pessoas. Mas se a mídia manipula as pessoas estas também se deixam ser manipuladas, e é claro que pode haver sim algo tendencioso, como todo estudante de jornalismo estuda no início de sua formação, sobre a imparcialidade no jornalismo, mas é uma coisa que nós temos que perseguir a imparcialidade é um mito, e temos que acordar todos os dias e pensar assim, é como os alcoólicos anônimos por hoje vou procurar ser imparcial e fazer por onde.
O que é para você ser um bom jornalista?
É ter responsabilidade com a profissão, ter compromisso, estar empenhado em correr atrás daquilo que interessa a coletividade, ao que interessa a sociedade, e ter compromisso acima de tudo com a cidadania. É ter ética e dar sempre voz a todos os lados envolvidos numa questão, procurar sempre ouvir várias fontes, e ter sempre um compromisso com a verdade.
Eu Kátia Graciano estudante de jornalismo no meu pensar jornalístico vejo que o jornalismo não é totalmente imparcial vejo que é correspondido às vezes por situações, sensações, o modo de como aquele que esta escrevendo a matéria tem na sua concepção de vivência humana, a linha editorial de um veículo de comunicação, e outras situações que interferem o pensar e o fazer jornalístico da matéria, é claro que sim seguindo os princípios básicos do código de ética que sempre é bom lembrá-lo, para mim cabe apenas ao bom jornalista avaliar sua forma de escrever a matéria procurando valorizar aquilo que seja de real valor para a sociedade com o aspecto de existência do sentido real verdadeiro, e humano.
Penso também que a questão da imparcialidade jornalística é algo bem complexo de ser discutido e de chegar em um consenso. E acredito que não seja possível fazer jornalismo sem inserir um ponto de vista pessoal, mesmo que implicitamente.
Para uma pessoa que transmite a informação para os outros, é quase impossível não dar opinião, é necessário ter bom senso e pensar em como isso vai influenciar e atingir o público, a imparcialidade jornalística existe, mas em alguns casos. Por exemplo, quando você escreve um texto sobre algum assunto ou pessoa que não possui nenhuma ligação, seja direta ou indireta com você, fica mais fácil ser imparcial quando não estamos ligados ao assunto em questão, acho que também deve-se sempre lembrar de trazer aquilo que é interessante, importante e útil para o público sem o seu gosto ou afeição pelo entrevistado ou a notícia que será divulgada pela informação.
Estamos cansados de ver e ouvir más notícias na mídia o bom jornalista deve-se pensar algo de bom para a sociedade de forma imparcial mas relevante em seus aspectos para que cresça uma visão de que o mundo pode mudar e melhorar basta optar por cada um fazer a sua parte. Acho que uma estratégia de trazer as coisas boas e relevantes a mídia é procurar trazer o gosto daquilo que não é mais tão comum a dor e o sofrimento do povo é preciso ser demonstrado que há pontos positivos no país e no mundo.
Kátia Rejane Graciano
Kátia Rejane Graciano
Intertextualidade O relato de um dia no dia a dia de quem relata o real
A preparação
São 7 horas da manhã e o jornal já está na porta de casa quando Sinara Neves se levanta para viver mais um dia em busca de notícias. O café da manhã é modesto, nada digno de quem sairá do lar sem ter certeza do que o espera, sem saber se irá almoçar, jantar ou, quem sabe, voltar para casa. O complemento alimentar são as informações impressas à sua frente, no exemplar que garante uma passagem mais lúcida para o local de trabalho.
Neves é jornalista há sete anos. Graduou-se em 2002, quando a internet e sua brevidade alucinante já não eram, pelo menos entre os estudantes de jornalismo, uma novidade. Mesmo assim, ela ainda prefere os impressos para se atualizar e buscar referências. “Não ignoro a web e seu potencial. É uma plataforma que veio para ficar. Mas sou um jovem preso ao antigo costume de sujar os dedos com jornais impressos e tenho um insano prazer ao sentir o meu trabalho, finalizado nas palmas das minhas mãos”, conta.
No caminho para a redação do jornal Diário do Rio Doce, de Governador Valadares, Neves faz render suas considerações a respeito do jornal impresso. Entusiasmada, afirma que, “se hoje o papel é “furado” pela agilidade dos meios eletrônicos, ele ganha em termos analíticos”, e observa que “o jornal impresso mudou sua forma de atuar para sobreviver. Agora, as matérias são mais recheadas de análises de profissionais relacionados ao tema, além de serem mais críticas e menos presas ao factual”.
Às 8 horas a Redação já está movimentada. Minutos antes da reunião de pauta, na qual são definidos os assuntos mais relevantes que serão abordados na próxima edição, jornalistas, fotógrafos e editores fazem as tradicionais piadas sobre política, futebol e o famigerado jet set valadarense. Quando, enfim, começam os trabalhos, temas recorrentes transitam sobre a mesa: violência na periferia; buracos por toda a cidade; chuva e o risco de dengue e enchentes; futebol e os preparativos do Esporte Clube Democrata para o Campeonato Mineiro de 2010.
Tudo acontece de forma automática e nada romântica. O espaço que acredita-se ser de geração de ideias propostas de histórias com viés criativo é, na realidade, uma mesa onde quase tudo já está pré-estabelecido, quase um processo viciado. Discussões, sugestões e consensos bem elaborados, vez ou outra, trazem as sensações de volta ao que se espera que seja uma reunião de pauta. Um dos pontos altos foi a proposta da própria Sinara Neves, de, neste mês de dezembro, fazer uma espécie de balanço do primeiro ano de gestão da prefeita Elisa Costa (PT). Trata-se da primeira mulher eleita para a Prefeitura de Governador Valadares, cuja eleição, segundo a jornalista, foi marcada por um contagiante clima de transparência e respeito.
Mesmo sabendo não tratar-se de algo original, foi unânime a posição favorável ao projeto, dada a sua relevância para o contexto de atuação do veículo. “O leitor do Diário quer ter informações a respeito da gestão da Elisa. Foram muitas promessas e temos o dever de averiguar se elas estão sendo cumpridas”. Quando questionada a respeito da inclinação política do jornal, ela desconversa. “O dono do jornal pode ter qualquer tipo de ideologia, mas o nosso trabalho é super respeitado. Temos liberdade para apurar e publicar”, afirma.
A busca
Sinara, autora da proposta de “fiscalizar” a gestão Elisa, é, no mesmo dia, escalada para fazer um balanço dos buracos que atormentam motoristas, motociclistas e ciclistas de Valadares. “Vamos lá. Missão dada é missão cumprida”, brinca, parafraseando célebre expressão do filme “Tropa de Elite”. O momento de descontração faria um sentido desagradável logo a seguir. Seria mesmo preciso ter a bravura e a frieza do capitão Nascimento para encarar o dia que a esperava.
“Não há buracos na cidade. A cidade está um buraco”. O desabafo irônico de Sinara era a síntese do cenário. Do centro de Valadares aos bairros que mais sentem a ausência de ações do poder público, a constatação era uma só: a eficiência e a eficácia da chuva na produção de buracos apresentava contraste absoluto com a quase inércia da Prefeitura.
A habilidade da jornalista era notável. O olhar atento a tudo e todos, a caneta e o bloco nas mãos, o gravador engatilhado e as sugestões de fotos na ponta da língua. O fotógrafo, que também era motorista, preocupou-se mais com a fuga das crateras do que com as avaliações de ângulos e focos e quadros possíveis.
Nos bairros Jardim do Trevo e Turmalina, às margens da rodovia BR 116, a população revoltada recebeu a equipe do jornal como se se tratasse de uma salvação. Segundo Sinara, é comum as pessoas, principalmente as mais humildes, enxergarem a imprensa como a solução dos problemas. “Esse caráter de prestação de serviço que nós temos contribui para confundir as coisas”, acrescenta. Porém, ela salienta que, em essência, a função do jornalista é registrar e tornar públicos fatos relevantes, embora “muitas vezes a nossa presença ajude a mudar uma situação”.
Famílias com cinco, seis filhos, crianças de colo e moradias precárias convivem com ruas que, antes sem pavimentação, hoje estão tomadas por mato, bichos peçonhentos e espaços que são convites para crimes. “Aqui não tem mais rua. O ônibus não vem mais, o barro toma conta de tudo e as crianças ficam doentes, com viroses, micoses e dor de cabeça”, reclama uma das moradoras do Jardim do Trevo. Indignada, ela afirma ainda que já desistiu de reclamar com a Prefeitura. “É ilusão. Eles não fazem nada por nós. Pobre só é lembrado em ano de eleição”, dispara.
No centro, motoristas, motociclistas e os milhares de ciclistas que circulam em Valadares diariamente pareciam reclamar em uníssono nos ouvidos da Sinara. “Parece até que eu sou a prefeita”, brinca, em outro momento de tentativa de aliviar a tensão. Sob sol forte – típico da cidade – entre nuvens carregadas, a jornalista colhia depoimentos que beiravam a ira. “Olha aí, daqui a pouco chove, abre mais um monte de “panela” e a gente arrebenta o amortecedor, a roda, o pneu. A conta vai para a prefeitura?”, atacava um empresário, em linguagem contrastante com seu reluzente automóvel.
A forma
Após colher os dados, a matéria-prima daquilo que vai chegar a residências, escritórios e em toda parte, chega a hora de dar a forma a tudo que foi ouvido, anotado, gravado e sentido. “As sensações influenciam, sim. A gente precisa ser frio, imparcial, mas é difícil ficar indiferente vendo o descaso com as pessoas”, lamenta Sinara, em um dos raros momentos em que a resignação e a frustração se misturam e para deixá-la desmotivada. Mas ela sacode a poeira e dá a volta por cima, dando continuidade à sua tarefa – não teria escolha, já que tem um prazo para entregar o texto ao editor.
Escolhendo a melhor trama de palavras, costurada por uma pontuação cadenciada, o ritmo que ela imprime é fascinante. A matéria, de aproximadamente duas laudas, perpassou por mais uma das qualidades da boa prática do jornalismo: a imparcialidade. O vigor e o cuidado no tratamento da informação era nítido, com relato sincero e envolvente sobre a situação vivida por vários cidadãos valadarenses. Sinara teve o mérito de fazer um texto clássico, uma pirâmide invertida concisa, mas sem perda de detalhes. As linhas informam e tocam as pessoas sem julgar ninguém.
“Quem julga é juiz”, esta seria a última tirada espirituosa de Sinara Neves. A jornalista cumpriu o acordo que firmou com a sociedade e com a sua consciência. Amanhã, irá atrás de mais uma pauta relevante para dar sequência à série de reportagens especiais sobre o primeiro ano da gestão Elisa Costa. Qual será? “Tenho observado que muitos moradores estão reclamando da falta de uma decoração de Natal em Valadares”, confidenciou. Isso foi mais que uma dica. A decoração é tradição em muitas cidades e, segundo ela, Valadares está – ou estava – nesse grupo. Uma boa matéria sobre isso será um belo presente de Papai Noel.
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