segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Quem torce pelo Atlético não é torcedor é Atleticano

Futebol é paixão dos brasileiros. Em Minas Gerais, especificamente, um dos grandes clubes de destaque nacional e internacional é o Clube Atlético Mineiro. Todavia, como torcer por uma equipe que quase não tem títulos de expressão e que já caiu para segunda divisão do Campeonato Brasileiro e em 2010 luta para não cair de novo?

Bem, essa resposta só um bom atleticano por te dar. Ainda mais aqueles mais velhos, que viram o Galo conquistar seu único título nacional. Soma-se ao título de 1971 apenas mais dois torneios sul-americanos e um Campeonato Brasileiro da segunda divisão. Além deles, são quarenta títulos estaduais.

Em “tempos de vacas magras”, os mineiros devem pensar como responder à seguinte questão: Como torcer por um time que não tem tantos títulos se comparado, por exemplo, com o arqui-rival Cruzeiro Esporte Clube? A resposta pode gerar divergência, mas o que todos concordam é que a fidelidade da torcida é, de fato, o troféu mais importante que o galo ganhou. Se na primeira ou segunda divisão, seja em casa ou a milhares de quilômetros de distância, a torcida está sempre presente.

É um verdadeiro fenômeno, por isso a torcida é considerada uma das mais fanáticas do Brasil. É um amor incondicional pelo time. Mas que torcida é essa?  Nenhum sociólogo explica, mas posso garantir que a paixão começa do berço, ganha força com o calor do estádio a partir de uma emoção que só mesmo quem é atleticano consegue transmitir. “Amor sincero ao alvinegro,” garantiram os atleticanos.

Wallyson Souza - estudante de Jornalismo

A mala falha: política e fé não se misturam

Um amigo me disse uma vez: “Estou certo que Jesus nunca se envolveu em três assuntos específicos: religião, economia e política”. Depois das eleições realizadas em outubro de 2010, passei a acreditar nisso também. Todo processo eleitoral é a mesma coisa: uma diversidade de líderes religiosos manifestou suas opiniões e crenças em relação à política e ao que seria melhor para o futuro do país.

Um episódio nessas eleições, em particular, me chamou a atenção. O pastor Silas Malafaia e a polêmica do aborto. No início da campanha eleitoral, o pastor chegou a declarar apoio à candidata Marina Silva (PV). Porém, logo em seguida, o pastor mudou de opinião e resolveu apoiar o candidato Serra (PSDB). Tudo porque a candidata Marina Silva declarou em um debate que a polêmica do aborto deveria ser resolvida com um plebiscito. Isso gerou desconforto ao pastor, que a acusou de dissimulação. Na visão dele, como a candidata é evangélica, deveria se opor peremptoriamente ao aborto e não ficar em “cima do muro”.

Na sequência dos fatos, o mesmo pastor declarou apoio ao candidato Serra. Mas o pastor se esqueceu de que entre outras coisas, o candidato Serra era a favor da união civil entre casais homossexuais, coisa que Malafaia também se opõe abertamente. Ele inclusive já participou de programas de televisão nos quais deixou claro sua oposição ao projeto de lei que trata do preconceito aos homossexuais.

Malafaia não parou por aí. Declarou que Dilma Rousseff (PT) perderia as eleições por apoiar o aborto, a acusou de ser partidária e a não dar suas opiniões pessoais em relação ao assunto. Ele afirmou que os cristãos, tanto católicos quanto evangélicos, não votariam nela por esse motivo. Não deu certo.

O pastor deveria entender um princípio básico da doutrina cristã: “Daí a Cesar o que é de Cesar e a Deus o que é de Deus”, ou, em outras palavras, Estado e Religião não caminham de mãos dadas. Malafaia, como líder religioso, se esqueceu da questão mais importante das eleições que era avaliar a política social do nosso país. Isso seria bem mais interessante do que tentar influenciar votos dos fiéis evangélicos a qualquer candidato.

Cristo não se envolvia em questões políticas, mas era preocupado com as questões sociais, principalmente com os pobres e miseráveis. Como me disse um amigo, poeta e escritor: “A Dilma foi eleita sem nenhuma grande surpresa. Agora meu dever é orar para que ela tenha um bom mandato e governe decentemente o Brasil. Não a partir de leis e diretrizes religiosas, mas se importando com as necessidades dos brasileiros, se ela fizer isso, será uma aliada de minha fé”.

De nada adiantou todo o alvoroço que Malafaia fez em seus programas de televisão, ambiente em que ele deveria tratar de assuntos relacionados a fé e não à política. O resultado final não foi aquele que outrora ele afirmou. Dessa vez os cristãos deste país não se deixaram influenciar pelos gritos do pastor em cima de um púlpito de igreja. Se Dilma é o melhor para o nosso país, os próximos quatro anos dirão. O que espero é que o pastor Malafaia tenha aprendido a lição e se cale daqui quatro anos.

Thiago Lima – estudante de Jornalismo

Música, talento e herança genética!


Virou clichê falar da nova “onda” de rock colorido ou Happy rock, como preferir. Mas um caso me chama bastante atenção. A banda Hóri, liderada por Fiuk, o filho do cantor e compositor Fábio Júnior. Já havia ouvido falar da banda há uns quatro anos, mas foi no começo de 2011, com o sucesso de outros grupos do mesmo estilo, como Restart e Cine, e com a participação de Fiuk na novela Malhação, é que Hóri ficou “conhecida”.

Filipe Galvão, o Fiuk, tenta (e o que é pior, consegue!) impressionar as fãs com suas demonstrações vazias de algo que se pareça com amor. Através de suas redes sociais, o garoto chama suas fãs de lindas, de “meus amores” e outros vocativos que soam bastante superficiais.
Em seus shows sempre solta as mesmas frases pensadas que enlouquecem o público: “Este é o melhor show que já fizemos!”, “Vocês são o publico mais empolgado que já vimos!” e tantas outras balelas do mesmo nível.


 Parece que fazer coração com as mãos se tornou algo imprescindível para se ter uma banda. Bem mais que saber cantar ou tocar bem algum instrumento.

Fiuk até tenta cantar como o pai, mas o que sai é uma voz fraca, um tanto quanto desafinada que ainda vai demorar muito pra chegar (ou talvez nunca chegue) ao nível de Fábio Junior. Com mais de 30 anos de carreira, Fábio Junior se mantém na ativa até hoje, tendo lançado seu último álbum em 2009. Ele já participou de novelas, apresentou programas de TV e gravou músicas que entraram pra história do cenário musical brasileiro como, por exemplo, “Só você” e “Alma Gêmea”.

A jovem tenta acompanhar os passos do ídolo consagrado. Regravou uma música de sucesso do pai. Atuou em uma novela. Mas por quanto tempo estará exposto na mídia? Até quando dura seu relativo sucesso? Eu também não sei. Mas não apostaria muito tempo.

Fiuk e sua banda parecem ser mais um daqueles casos de sucesso passageiros que não duram mais de um verão e, definitivamente, mostram e comprovam que talento não é passado através de herança genética.

Marinha Luiza – estudante de Jornalismo

Economia Solidária

Qual é a relação entre meio ambiente e economia? É possível fazer o desenvolvimento econômico andar lado a lado com a preservação ambiental? Em que medida as novas tecnologias e as grandes corporações mundiais se esforçam para preservar o planeta? Para refletir sobre estes temas partiremos das declarações do filósofo e teólogo Leonardo Boff e do economista Marcus Eduardo de Oliveira.

Ao se lembrar da catástrofe que ceifou vidas em decorrência das chuvas no início de 2010, no estado do Rio de Janeiro, Marcus Eduardo parte do pressuposto de que devemos adotar uma economia solidária mundial eliminar o desejo incontrolável de consumir e consumir cada vez mais. Desta forma o planeta e a vida existente nele correrão menos riscos, além de haver menos competitividade e agressão ao ambiente.

Leonardo Boff também critica o modelo competitivo de sociedade e a cultura do acúmulo que a acompanha a nossa economia. “O resultado desta lógica da competição de todos contra todos e da falta de cooperação é a transferência fantástica de riqueza para poucos fortes, os grandes conglomerados a preço do empobrecimento geral”, reclamou o teólogo.

Quem concorda é o teólogo Adilson Schultz no artigo “Modelos Econômicos e Crise Ambiental”, o qual mostra como a economia no Brasil principalmente é má distribuída. E o que está em questão de acordo com este artigo é o desejo de consumo das pessoas, que as levam em uma constate desigualdade social e econômica. Uma mudança na economia a favor de todos inclusive os mais necessitados é um sonho que não depende só dessa minoria que precisa, mas de todos.

Em uma sociedade mediada pelo crime e a corrupção, não se pode abrir as portas ou as mãos para o próximo sem desconfiança. Estamos em uma sociedade insegura, onde os direitos humanos ainda são desvalorizados. Como lidar com esta situação? O primeiro passo seria reduzir as diferenças entre as classes. Os governantes deveriam colocar em pauta a má distribuição de renda e o baixo salário mínimo, fatores que inviabilizam o acesso de parte dos brasileiros a economia solidária.

O bem-estar coletivo deveria começar pela nossa relação social mais qualificada. A Internet poderia ser uma das ferramentas para atingir este objetivo. Contudo, as mentiras postadas na rede mundial de comunicação são desafios a serem superados. Ao invés de ser usada apenas como entretenimento, como acontece na maioria dos casos, a rede social on-line deveria ser um meio para conseguir ajuda para famílias carentes junto às igrejas e ONGs.

Outra questão envolvendo as redes sociais é o mau uso do espaço para cometer crimes (pedofilia e exploração sexual, por exemplo). Marcus Eduardo denuncia que “em cidades da região Nordeste do Brasil programas sexuais com adolescentes menores de 15 anos de idade são vendidos pela internet aos turistas estrangeiros”.

O que devemos colocar em discussão é o bem estar social garantido a partir do trabalho e esforço de pessoas que nem sempre são valorizadas. Por isso acabam buscando novos rumos, colocando em risco a própria vida. Diante desta situação, vale a pena uma união de todos os brasileiros em prol do bem-estar social que atinja uma parcela maior da população. Estariam os programas sociais do governo federal dando conta desta situação?

José Luiz – estudante de Jornalismo

A maquiagem da sustentabilidade

Utilizar os recursos disponíveis no presente sem esgotá-los para evitar comprometer o meio ambiente das gerações futuras. Este é o conceito da sustentabilidade. Assunto que nunca foi tão falado como ultimamente. São festivais que afirmam ter a sustentabilidade como prioridade, empresas que garantem utilizar materiais recicláveis na produção do seu produto, políticos que prometem a preservação da Floresta Amazônica e consumidores que preferem acreditar em todas essas promessas ao invés de tomarem alguma atitude ou ao menos fiscalizarem se a promessa que estão comprando é de fato verdade.

Com os recursos naturais se esgotando é normal que o assunto seja alvo de preocupação geral. No entanto o que tem acontecido é uma banalização do tema que, por estar em voga, se tornou uma excelente fórmula de marketing social usada pelas corporações.

O exemplo mais recente foi o Festival SWU (Starts With You) que utilizou de um marketing pesado assegurando que o evento seria um marco na história em questão de sustentabilidade e que a música ficaria em segundo plano. Pura balela. O evento se tornou um Woodstock brasileiro sem a menor estrutura sustentável. A comida era a tradicional junk food com pizzas, salgadinhos e refrigerantes servidos em copos e pratos de plástico, além do excessivo consumo de energia gastado para a realização dos shows durante os três dias do festival.

As construtoras são as mais paradoxais. Para aumentarem a credibilidade do consumidor e conquistarem os clientes ecologicamente corretos, elas aproveitaram a onda do verde para lançarem os Green Buildings. Teoricamente, essas construções se baseiam em soluções para diminuir o impacto causado no meio ambiente e garantir melhor qualidade de vida a seus clientes por meio de reutilização de água; economia de energia; tijolo, telhado e tinta ecológica; coleta seletiva de lixo; reciclagem de óleo de cozinha; iluminação natural e reciclagem de garrafa pet no uso de tubulações e brita.

Na teoria é a casa ideal, mas na prática só uma pequena porcentagem da população pode adquirir um imóvel assim, porque tudo que é sustentável é mais caro. Se por um lado a iniciativa é consciente, por outro o desmatamento das áreas verdes para o desenfreado crescimento imobiliário é no mínimo contraditório.

Enquanto a sustentabilidade for um assunto superficial para a maioria das pessoas, as empresas continuarão a utilizar o tema como tal. Mas, a partir do momento que a população se der conta da importância de preservar o planeta e cobrarem atitudes mais conscientes das corporações, o tema deixará de ser só marketing social para ocupar o lugar prioritário dentro e fora das empresas.

Daniela Figueiredo – estudante de Jornalismo

Em quem confiar?

A garotinha de cinco anos chegou da escola diferente. Como toda criança, estava cansada, mas algo de estranho havia acontecido e,  apesar de saber falar, a sua única forma de expressar o que estava sentindo foi chorar. Sem entender o choro que fazia a garotinha perder o fôlego, sua mãe tirou-lhe a roupa para ver o que  a estava incomodando tanto. Tamanha foi a surpresa ao perceber que sua filha poderia ter sido vitima de abuso sexual.

Seja qual for o número de abusos sexuais em crianças que se vê nas estatísticas, devemos ter em mente que o número pode ser bem maior. A maioria desses casos não é reportada, tendo em vista que a criança abusada muitas vezes não sabe se expressar ou tem medo de ser repreendida por seus pais ou pelo abusador.

Mas o que fazer para proteger nossas crianças? Como saber quem é o inimigo, já que muitas vezes ele está embaixo do nosso nariz?

Acho que não há respostas para essas perguntas. Mas acredito que o mais importante é que os pais mantenham o diálogo com seus filhos. Ensinando-lhes a zelar por sua própria segurança e dando-lhes confiança para poder compartilhar esta terrível experiência. Falar o que aconteceu é uma tarefa muito difícil para a criança, afinal, ela é um ser que ainda não compreende o mundo e vive em suas fantasias infantis.

 A criança começa então a enfrentar um conflito e se sente culpada por imaginar que poderia ter evitado a agressão e, ao mesmo tempo, por possuir algum afeto pelo abusador.
Nesta sociedade em que as famílias estão se desestruturando, ter em quem confiar  pode se tornar uma tarefa árdua para as crianças. E se isto não existir, além do trauma causado pelo abuso sexual, a profunda sensação de solidão e abandono da família pode se transformar num dano emocional e psicológico devastador na vida dessas crianças.


 Graziele Oliveira – estudante de Jornalismo 

O Brasil tem pela primeira vez uma mulher na presidência


Há alguns anos, certamente seria ironia se alguém afirmasse que uma mulher comandaria uma grande potencia como é o caso do Brasil. Mas a candidata a presidência pela primeira vez, Dilma Rousseff (PT) é a primeira mulher a chegar ao comando após vencer as eleições de outubro de 2010. Ela contou com apoio do atual presidente Luis Inácio Lula, principal cabo eleitoral durante a campanha.

Se o candidato a presidência José Serra do (PSDB) se sentiu ameaçado pela bolinha de papel, que foram atiradas supostamente por possíveis militantes do PT durante passeata no Rio de Janeiro; os eleitores brasileiros tiveram muito medo de retroceder e optaram por não dar um voto de confiança ao tucano.

Existem famílias que não imaginam a vida atualmente sem a bolsa família. O medo de perder a ajuda do governo e de não ter mais na presidência alguém que possa pelo menos se aconselhar com o “cara simpático” que fala o pensa, e que quer ajudar a todos. O Serra perdeu a eleição para o governo com alto índice de aprovação de Lula, prova disso é que uma candidata pouco conhecido e que nunca tinha disputado uma eleição assumirá em janeiro o cargo mais alto d executivo brasileiro.

Serra teve nesta eleição a sua última oportunidade de ser presidente da república. Hoje talvez adormeça um sonho de um homem e concretize o sonho de muitas brasileiras, que podem estar se sentindo ganhadoras e superioras de uma nação regida pela masculinidade. Ou talvez todas as classes se identifiquem com a mulher forte e de semblante elevado.


Cleoni Neves – estudante de Jornalismo